Menu

Uma pitada de surrealismo, outra de sátiras, um tiquinho de humor...

... e BUUUM! Um bom livro. Será mesmo que a estupidez é o melhor caminho num mundo onde a inteligência soberba é mal-vista? O livro de estréia de Martin Page conta a jornada de Antoine, que acredita que a ignorância é um dom. Então ele decide para de sofrer por causa de uma consciência que o impede de aceitar as injustiças do mundo, ele resolve virar estúpido. Sua primeira tentativa, a de virar alcoólatra, ele falha miseravelmente. Depois do trágico incidente, ele vai parar no hospital, onde conhece uma moça suicida (mal-sucedida) que lhe sugere um curso para suicidas. Isso mesmo. Ele desiste logo na primeira aula e tenta até o inimaginável: retirar uma parte de seu cérebro. Diante de vários fracassos, em sua última tentativa, seu médico receita o antídoto para a inteligência: o Felizac, um antidepressivo que eu não receitaria a ninguém. Ah, é só tomar essa bagaça e tá tudo certo? Não, depois que ele consegue um emprego na corretora de ações de um ex-amigo de Antoine, a história finalmente se desenrola.
Apesar de ser um livro bem fino, Como me tornei estúpido carrega tanta informação que depois que você lê, fica desnorteado. As sátiras e o humor ácido estão presentes em grande parte do livro, exceto no final que ficou ó: uma bosta. Martin Page tinha tudo para escrever um livro que arrebatasse todos, mas quando você pensa que o final vai ser surpreendente, Page lhe arranca toda a esperança. Entretanto, o livro não se torna de todo ruim por isso.
Ah, e preciso citar a ótima construção dos personagens. O meu preferido foi, sem dúvidas, o Aslee. Tá, mas quem é Aslee? É o amigo mais... excêntrico do Antoine. Ele brilha no escuro, só fala em versos e é gigantesco. Só isso.
Tá, e que nota eu daria? Quatro de cinco estrelas. Por quê? Porque o final me decepcionou de um modo que eu não posso expressar direito. Fora isso, Martin Page fez um dos melhores livros que eu já li.

Quem sabe se numa dessas Medianeras eu te encontro?

Numa cidade tão grande como Buenos Aires, como encontrar o amor? Gustavo Taretto brinca e encanta com um filme leve para ser assistido num fim de tarde tomando um chá. Moça não exagera! Martin é um complexado, fóbico e solitário que passa a maior parte de seus dias na frente de um computador. Mariana é uma arquiteta recém-formada que até agora não construiu nada e ganha a vida sendo vitrinista. Martin e Mariana são vizinhos que nunca se viram (até o meio do filme) nem conversaram pela internet (até quase o final).
Com: Javier Drolas e Pilar López de Ayala.
Ano: 2011
Direção: Gustavo Taretto

Quando eu vi algo sobre esse filme, foi somente uma imagem carregada de filosofia. Eu instantaneamente "corri" para procurar no Youtube e, quando finalmente achei, assisti num "só gole". CARA, QUE FILME BOM É ESSE? Medianeras mostra explicitamente o quanto somos dependentes da tecnologia e o quanto esse vício te afasta de pessoas que vivem ao teu lado, na tua fuça. Os personagens são bem construídos e repletos de defeitos e qualidades. São pessoas fictícias num universo real.
essa é a Mariana

esse é o Martin
A Mariana e o Martin fazem as mesmas coisas, veem os mesmos filmes e passam pelos mesmos lugares, mas nunca se conhecem de verdade. Cegos. Ela saiu de um relacionamento vazio de quatro anos não aproveitados. Ele foi abandonado pela namorada que lhe deixou apenas a cachorrinha que segundo ele é o elo perdido entre bicho de pelúcia e cachorro. Ela tem fobia a elevadores. Ele viveu isolado durante muito tempo. Em suma, eles são almas gêmeas cegas.
Mas sabe um ponto negativo nesse filme? Ele é desconhecido demais. Mesmo com toda informação contida no fantástico mundo da internet, ninguém se interessa em assistir. É triste? É sim, mas fazer o quê, né? Ah, e para constar também, esse filme foi baseado num curta metragem do mesmo diretor. Eu não achei ele legendado... Mas para quem quiser assitir, deixo o link no final do post.


o tal link que eu mencionei: https://www.youtube.com/watch?v=kDj9yoBJ0k8
se você quiser assistir depois que ler essa resenha: https://www.youtube.com/watch?v=8ja-vEbiY1c

Outro livro bom que só: A Escola do Bem e do Mal, de Soman Chainani

Assim como Soman Chainani, as crianças do povoado de Gavaldon são loucas por contos de fadas, até porque elas podem ser estrelas de outros contos de fadas. Tá, agora explica. A cada quatro anos, na décima primeira noite do décimo primeiro mês, alguém sequestra duas crianças. Os pais trancam e protegem seus filhos, apavorados com o possível sequestro, que acontece segundo uma antiga lenda: os jovens desaparecidos são levados para a Escola do Bem e do Mal, onde estudam para se tornar os heróis e os vilões das histórias. Num certo ano, Sophie - uma criatura chata, egoísta, perfeitinha fanática por pepinos - e sua "amiga" Agatha - uma gótica que mora num cemitério com a mãe - são as escolhidas do sequestrador. O problema é que elas são trocadas: Sophie vai para a Escola do Mal enquanto Agatha vai para a do Bem. Daí começa o furdúncio.
Pra falar a verdade, eu esperava algo mais infantil desse livro. Ao ler a sinopse eu me interessei por achar fútil uma releitura dos contos de fada onde as protagonistas são opostos gritantes e pensei: "Vamos ver no que dá, não é?" E cara, fiquei no chão quando terminei de ler essa maravilha. Tem um toque de Harry Potter e um cheiro de nostalgia que me faz lembrar dos tempos em que eu chorava largada com o final dos filmes da Disney (ai que vergonha). Uma das coisas que eu não gostei - além dos clichês - foi o pouco aproveitamento das quase 400 páginas. Dava pra ter colocado algo mais aí! Uma das coisas que eu gostei - além das lindas ilustrações - foi o mapa que tem logo no começo do livro ( que besteira, né?) Os personagens, apesar dos pesares, são bem construídos e cheios de defeitos e de qualidades; como elas sobrevivem em cada uma das escolas; e o final... fiquei assim com o final:

Vale lembra também que há um príncipe que também contribui para as tretas e  para os momentos engraçados; e, claro, A Escola do Bem e do Mal é o primeiro livro de uma trilogia homônima cujo segundo livro já foi lançado na gringa e não tem data de lançamento aqui.
Nesse momento o que me resta dizer é que: EU QUERO O FILME PRA ONTEM!

Confesso: fiquei desaparecida por muito tempo porque eufuisequestradapormafiososgatos eu precisava de um tempo pra mim e... Mentira! Eu fiquei um bom tempo sem o computador (o pobrezinho tem um certo fanatismo pelo técnico então já viu, né?) e também precisei me desligar um pouco pra escrever (eu tinha histórias abandonadas clamando por revisão)

Resenha: orgulho e Preconceito (2005)

Esses dias eu estava sem nada pra fazer. Como assim? Já tinha lavado a louça. Voltando ao assunto, eu fui procurar um filme para assistir. O que eu fiz? Nosso amigo Google ajudou! Fui procurar os filmes da minha listinha de coisas que virei a procurar num futuro próximo. Qual era o primeiro filme? Orgulho e Preconceito! Sim, eu já tinha ouvido falar nessa obra, mas não conseguia achar para assistir no Youtube. O que foi que eu fiz? Deixei a preguiça de lado, peguei o lençol mais grosso que achei e passei as duas melhores horas do meu sábado com o chat do Facebook desativado e os olhos no VimeoCara, cinco minutos depois lá estava eu novamente pesquisando no Google. O quê exatamente? TUDO sobre esse filme. Bem, sobre o quê é? As cinco irmãs Bennet - Elizabeth (Keira Knightley), Jane (Rosamund Pike), Lydia (Jena Malone), Mary (Talulah Riley) e Kitty (Carey Mulligan) - foram criadas por uma mãe (Brenda Blethyn) que tinha fixação em lhes encontrar maridos que garantissem seu futuro. Porém Elizabeth deseja ter uma vida mais ampla do que apenas se dedicar ao marido, sendo apoiada pelo pai (Donald Sutherland). Quando o sr. Bingley (Simon Woods), um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Jane logo parece que conquistará o coração do novo vizinho, enquanto que Elizabeth conhece o bonito e esnobe sr. Darcy (Matthew Macfadyen). Os encontros entre Elizabeth e Darcy passam a ser cada vez mais constantes, apesar deles sempre discutirem.
O que eu achei? Espetacular! Algumas pessoas dizem que essa não foi a adaptação mais fiel ao livro homônimo, mas eu contradigo tal afirmação. O filme é sim fiel, mas não supera a série da BBC. O Darcy do MacFandyen (ô voz de barítono!) foi melhor que o do Colin Firth (me julguem) e a Keira estava anoréxica no filme. Alguns dizem que é um filme parado. Inocentes. Está tudo subtendido nos gestos e nas palavras de cada personagem. É engraçado, vazio e imperfeito. Paradoxo? Não. A blogueira bebeu? Talvez. Orgulho e Preconceito é de fato um filme que deve ser assistido diversas vezes. Não é difícil de entender, não tem um beijinho sequer (olhe as cenas extras ou vá nesse link) e não chega a ser clichê. Vale a pena? Muito.

Cenas preferidas:

"Eu a amo. Ardentemente"





Acir, hacer, adeus

E era agora que Acir perderia seu mais importante pilar. Ele realmente acreditava no amor em sua forma mais melosa possível: com flores, presentes baratos e doces que mal sobravam para o amanhã, eu te amos inesperados no meio da tarde, abraços que demonstrassem a posse de Acir sobre o grande e misterioso pilar, talvez o único de sua vida.
E agora era uma tarde quente. Não havia brisa que cessasse aquele calor que se misturou com o medo. Lá estava ela: deitada no tapete do apartamento dele, só com uma camiseta e calcinha. O sorriso expresso nos olhos fechados, guardando os mistérios não descobertos nesses três anos. Ela era tão feliz que até em seu descanso havia sorrisos. Mas ela era feliz ao lado dele? Pergunta perturbadora.
E as costas de Acir ainda estavam riscadas em forma de constelações não aceitas pela astronomia. Então ela dizia: “suas costas são céus, e suas pintinhas são estrelas”. Ele ouviria isso novamente? Por que tantas perguntas?
E os dois não desatavam o nó que era o abraço frio oposto ao calor do Nordeste. Não era a melhor posição do mundo, mas era compartilhada com a pessoa que fazia aquele maldito e poluído mundo melhor. Ou mais habitável.
E agora ela acordava e mandava que ele a soltasse. Ele obedecia prontamente. Ela recolocava a bermuda comprada por menos de dez reais e escrevia um certo bilhete difícil de entender. Acir não impediria a queda do seu templo.
E agora as únicas coisas deixadas por ela eram o moço tolo e iludido, e o bilhete. AH! O bilhete!
Acir
Hacer
Adeus
E Acir agora afirmava: a solidão é parte da paixão. Mas o problema é que só revela-se no final. Maldito final.

E agora? A brisa do amor sopraria novamente, ou levaria as expectativas de um Acir escasso de Pilar?


O que eu sou?

Sou a música que ninguém quer ouvir.
Sou o cabelo no arroz de alguém.
Sou o nó no teu cabelo.
Sou a gasolina mais cara do posto.
Sou a pedra que você tem pena de abandonar.
Sou o “roda presa” que te atrasa a viagem.
Sou o querosene que não pode ser derramado perto de ti.
Sou inflamável, e tu és o resultado da minha combustão.
Sou insolúvel comparado a tua essência.
Sou o fogo, tu a gasolina.
Sou óleo, e tu a água.
Sou e és.
Somos.
Só.
Elementos.
Distintos.
Da.
Química.
Da.

Vida.

Afinal, Capitu traiu ou não?

Eu li, reli, pensei, sonhei e amei. Machado de Assis nunca me fez tão feliz. A história de Capitu e Bentinho é espetacular. Lhe prende e lhe apaixona. E, ao final, o autor deixa uma indagação: Capitu traiu ou não? Olha, eu sei que você não me perguntou, mas eu acredito que não. Bentinho estava com uma saudade excessiva do amigo que morrera e por isso acreditou ver a imagem do amigo no rosto do filho. Não, não era ciúmes. Os homens não sentem ciúmes, sentem um medo idiota de perder a mulher que conquistou. E isso acontecia com Bentinho.Uma das frases mais marcantes do livro é a descrição dos belos olhos de Capitu. Os olhos de cigana oblíqua e dissimulada, olhos de ressaca. Enfim, vale a pena ler.

Há também algumas adaptações, sendo que a minha preferida é a minissérie do Plin Plin: Capitu. Dividida em 5 capítulos, a série tem um cenário bem incomum: as cenas foram gravadas em lugares públicos do Brasil, mas os trajes condizem com a época. E a trilha? O que dizer da perfeição? Espie: tem um pouco do rock antigo, como Black Sabbath e Jimi Hendrix. Tem também músicas calmas como Elephant Gun do Beirut. E claro que não podia faltar músicas brasileiras!

Cena da minissérie

Tema de Bentinho (aparentemente corno) e Capitu