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Acir, hacer, adeus

E era agora que Acir perderia seu mais importante pilar. Ele realmente acreditava no amor em sua forma mais melosa possível: com flores, presentes baratos e doces que mal sobravam para o amanhã, eu te amos inesperados no meio da tarde, abraços que demonstrassem a posse de Acir sobre o grande e misterioso pilar, talvez o único de sua vida.
E agora era uma tarde quente. Não havia brisa que cessasse aquele calor que se misturou com o medo. Lá estava ela: deitada no tapete do apartamento dele, só com uma camiseta e calcinha. O sorriso expresso nos olhos fechados, guardando os mistérios não descobertos nesses três anos. Ela era tão feliz que até em seu descanso havia sorrisos. Mas ela era feliz ao lado dele? Pergunta perturbadora.
E as costas de Acir ainda estavam riscadas em forma de constelações não aceitas pela astronomia. Então ela dizia: “suas costas são céus, e suas pintinhas são estrelas”. Ele ouviria isso novamente? Por que tantas perguntas?
E os dois não desatavam o nó que era o abraço frio oposto ao calor do Nordeste. Não era a melhor posição do mundo, mas era compartilhada com a pessoa que fazia aquele maldito e poluído mundo melhor. Ou mais habitável.
E agora ela acordava e mandava que ele a soltasse. Ele obedecia prontamente. Ela recolocava a bermuda comprada por menos de dez reais e escrevia um certo bilhete difícil de entender. Acir não impediria a queda do seu templo.
E agora as únicas coisas deixadas por ela eram o moço tolo e iludido, e o bilhete. AH! O bilhete!
Acir
Hacer
Adeus
E Acir agora afirmava: a solidão é parte da paixão. Mas o problema é que só revela-se no final. Maldito final.

E agora? A brisa do amor sopraria novamente, ou levaria as expectativas de um Acir escasso de Pilar?


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