“No dia em que eu voltei à realidade, tinha biscoito no chão
do quarto e eu tinha acordado cedo demais. Passei o dia todo escutando Pink
Floyd no fone pra minha mãe não brigar. Assisti desenho até chorar de tanto rir
das piadas idiotas, mas que me fizeram feliz na infância. Eu comi tanto
chocolate que fiquei horas no banheiro que tinha cheiro de menstruação.
No dia em que eu voltei à realidade, me apaixonei pelo filme
que me fez dormir e sonhar com um monstro. Acordei e parei de amar tudo.
Principalmente as lágrimas que insistiam em cair e manchar o papel que era
marcado por algum sentimento.
No dia em que eu voltei à realidade, peguei o violão e
toquei uma melodia aleatória que depois eu anotei pra não esquecer. Dormi de
novo e sonhei que não te conhecia. Foi um sonho tão bom.
Nesse mesmo dia, eu tive a certeza de que a semana perfeita
que passou era apenas um conjunto de ilusões que me fez feliz por um curto
momento. As lágrimas que foram derramadas foram apenas uma libertação do que eu
não conhecia, mas que eu sempre odiei. Os falsos sorrisos expressados foram
apenas uma tentativa de ser feliz. As palavras escritas foram apenas uma
tentativa de ser alguém reconhecido. Os sentimentos revelados foram apenas...
Sei lá o que foram!
No final do dia em que eu voltei à realidade, eu fiz uma
sopa. Nessa sopa tinha lápis, papel, borracha e fone de ouvido. Eu misturei
tudo e nasceu o que eu posso chamar de felicidade não duradoura. Talvez fosse
disso que eu precisasse. Um pouco de felicidade parecida como a brisa de verão.
Uma felicidade que você sabe que precisa, mas que quase nunca vem pra ficar.”
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Rafaela. 14 anos. Leonina. Pavio curto. Fã do AC/DC e dos Beatles. Escreve quando está com inspiração. Adora chocolate e sorvete. Tem medo de prédios muito altos, mas sem quis saber a sensação de se jogar de um.
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